quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ricos e famosos


Scarpa abre portas às faculdades
Do grupo iniciado em Sorocaba restam as instalações da antiga fábrica
A história da família Scarpa começa em 1885, quando chegaram o italiano Francisco Scarpa e seu filho Nicolau. Inicialmente, montaram um armazém de secos e molhados na rua Cel. Benedito Pires. Em seguida, compraram um grande solar na rua Padre Luiz, onde está hoje a Lojas Cem. Na parte superior, morava a família. O térreo foi destinado para os negócios: compra e venda de algodão. A primeira firma da família denominava-se Scarpa & Filho. Em 1916, o filho Nicolau comprou a primeira fábrica de tecido, a Nossa Senhora da Ponte. Com o crescimento dos negócios, mudou-se com a família para São Paulo, em 1918.
Assim como ocorreu com o conde Matarazzo, os negócios dos Scarpa só cresceram na Capital, mas ao contrário do primeiro, Nicolau manteve até 1981 a sua fábrica de tecido na cidade. Os Scarpa lidaram com todo tipo de atividade industrial e financeira. Logo no início do século 20, adquiriram a cervejaria Caracu. E também o controle acionário de uma série de empresas, incluindo indústrias de cimento, distribuidoras de automóveis, cortumes, usinas de açúcar, fazendas de gado, etc. O filho de Nicolau, Francisco Scarpa, foi sócio de Assis Chateaubriand em diversas fazendas modelo de gado. Sozinho chegou a ter quarenta fazendas ao mesmo tempo.
Apesar da idade, Francisco Scarpa ainda dá expediente no escritório de suas empresas, no Edifício Scarpa, na avenida Paulista. Ele é sorocabano e costuma dizer às pessoas que em toda a sua vida empresarial o que fez foi apenas tentar manter o patrimônio deixado pelo pai Nicolau. O currículo do comendador Francisco como diretor de empresas que já teve ou tem participação, é extenso. Inclui desde a vice-presidência da cervejaria Skol-Caracu ao cargo de diretor da companhia Eletrolux S.A. Também participou da alta direção de uma das maiores universidades de São Paulo, mantida pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), onde integrou o seu conselho superior juntamente com o jurista Miguel Reale e o conhecido político mineiro (já falecido) Magalhães Pinto.
No antigo casarão da rua Padre Luiz ficava o armazém que deu origem às empresas
A participação da família Scarpa no campo social de Sorocaba é bastante significativa. Na década de 20, Nicolau Scarpa doou a construção do pavilhão central da Santa Casa de Misericórdia. Na década de 50, atendendo ao pedido especial do amigo bispo Dom José Carlos de Aguirre, a família Scarpa construiu as instalações da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, no bairro Trujillo - o embrião que deu origem à Universidade de Sorocaba (Uniso). Além de construir o prédio, a família constituiu a Fundação Scarpa para administrar e manter com seus recursos próprios os primeiros anos da faculdade. Mais tarde a faculdade passou a ser administrada pela Fundação Dom Aguirre. Ainda na década de 50, com os salários dos servidores municipais atrasados diversos meses, a família emprestou à Prefeitura Municipal o dinheiro necessário para pagá-los. Também ajudou a construir a Faculdade de Medicina, doando o Laboratório de Patologia.
O gosto pelo empreendedorismo está no sangue e atravessa gerações desta família de origem italiana. Em 1978, o filho do comendador Francisco, o conde Chiquinho Scarpa, 52, propôs transferir a sua indústria de tecidos para a zona industrial de Sorocaba. Nas instalações da antiga fábrica, no centro, Chiquinho pretendia viabilizar um shopping center. O negócio só não vingou porque a Prefeitura não possuía área disponível para doar às Organizações Scarpa na zona industrial.

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