Scarpa abre portas às faculdades
| Do grupo iniciado em Sorocaba restam as instalações da antiga fábrica |
A história da família Scarpa começa em
1885, quando chegaram o italiano Francisco Scarpa e
seu filho Nicolau. Inicialmente, montaram um armazém
de secos e molhados na rua Cel. Benedito Pires. Em seguida,
compraram um grande solar na rua Padre Luiz, onde está
hoje a Lojas Cem. Na parte superior, morava a família.
O térreo foi destinado para os negócios: compra e venda
de algodão. A primeira firma da família denominava-se
Scarpa & Filho. Em 1916, o filho Nicolau comprou a primeira
fábrica de tecido, a Nossa Senhora da Ponte. Com o crescimento
dos negócios, mudou-se com a família para São Paulo,
em 1918.
Assim como ocorreu com o conde Matarazzo,
os negócios dos Scarpa só cresceram na Capital, mas
ao contrário do primeiro, Nicolau manteve até 1981 a
sua fábrica de tecido na cidade. Os Scarpa lidaram com
todo tipo de atividade industrial e financeira. Logo
no início do século 20, adquiriram a cervejaria Caracu.
E também o controle acionário de uma série de empresas,
incluindo indústrias de cimento, distribuidoras de automóveis,
cortumes, usinas de açúcar, fazendas de gado, etc. O
filho de Nicolau, Francisco Scarpa, foi sócio de Assis
Chateaubriand em diversas fazendas modelo de gado. Sozinho
chegou a ter quarenta fazendas ao mesmo tempo.
Apesar da idade, Francisco Scarpa ainda
dá expediente no escritório de suas empresas, no Edifício
Scarpa, na avenida Paulista. Ele é sorocabano e costuma
dizer às pessoas que em toda a sua vida empresarial
o que fez foi apenas tentar manter o patrimônio deixado
pelo pai Nicolau. O currículo do comendador Francisco
como diretor de empresas que já teve ou tem participação,
é extenso. Inclui desde a vice-presidência da cervejaria
Skol-Caracu ao cargo de diretor da companhia Eletrolux
S.A. Também participou da alta direção de uma das maiores
universidades de São Paulo, mantida pela Fundação Armando
Álvares Penteado (Faap), onde integrou o seu conselho
superior juntamente com o jurista Miguel Reale e o conhecido
político mineiro (já falecido) Magalhães Pinto.
| No antigo casarão da rua Padre Luiz ficava o armazém que deu origem às empresas |
A participação da família Scarpa no campo
social de Sorocaba é bastante significativa. Na década
de 20, Nicolau Scarpa doou a construção do pavilhão
central da Santa Casa de Misericórdia. Na década de
50, atendendo ao pedido especial do amigo bispo Dom
José Carlos de Aguirre, a família Scarpa construiu as
instalações da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras,
no bairro Trujillo - o embrião que deu origem à Universidade
de Sorocaba (Uniso). Além de construir o prédio, a família
constituiu a Fundação Scarpa para administrar e manter
com seus recursos próprios os primeiros anos da faculdade.
Mais tarde a faculdade passou a ser administrada pela
Fundação Dom Aguirre. Ainda na década de 50, com os
salários dos servidores municipais atrasados diversos
meses, a família emprestou à Prefeitura Municipal o
dinheiro necessário para pagá-los. Também ajudou a construir
a Faculdade de Medicina, doando o Laboratório de Patologia.
O gosto pelo empreendedorismo está no sangue
e atravessa gerações desta família de origem italiana.
Em 1978, o filho do comendador Francisco, o conde Chiquinho
Scarpa, 52, propôs transferir a sua indústria de tecidos
para a zona industrial de Sorocaba. Nas instalações
da antiga fábrica, no centro, Chiquinho pretendia viabilizar
um shopping center. O negócio só não vingou porque a
Prefeitura não possuía área disponível para doar às
Organizações Scarpa na zona industrial.
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